segunda-feira, janeiro 30, 2006

AS ORDENS PROFISSIONAIS E A ACREDITAÇÃO



Por João Vasconcelos Costa
"Vital Moreira, na sua coluna habitual no Público (indisponível online), escreve hoje sobre as ordens profissionais, assunto que, como a mim, o preocupa e sobre o qual muito já tem escrito. Costumamos estar de acordo sobre isto e, hoje, de novo, manifesto esse acordo. Só uma pequena nota sobre a regulação do acesso à profissão e certificação dos cursos."

"Nos últimos anos, têm-se acentuado entre nós os esforços das ordens para limitar o acesso à profissão. Sem mencionar as propostas extremas de contingentação anual, até agora sem seguimento, são três os mecanismos utilizados: primeiro, elevar os requisitos académicos para o acesso à profissão (banalização da exigência de licenciatura); segundo, controlar os requisitos académicos à entrada na profissão, através de um exame de ingresso ou da "credenciação" ou "acreditação" dos cursos pela ordem; terceiro, alongar os estágios profissionais e tornar cada mais selectivos os exames de estágio, efectuados pela própria ordem. No caso da Medicina, a limitação do acesso à profissão continua a ser efectuada a montante, pelo numerus clausus dos cursos de Medicina, acompanhado pelo não reconhecimento de cursos de Medicina fora as universidades públicas (que uma zelosa comissão oficial confirmou recentemente). No caso do controlo dos conhecimentos académicos dos candidatos, a intervenção das ordens profissionais é tanto mais questionável quanto é certo que se trata de questionar títulos públicos (mesmo quando conferidos por universidades privadas), que atestam a aprovação nos cursos que legalmente dão acesso à profissão. As ordens deveriam limitar-se a controlar os conhecimentos que elas mesmas podem ministrar, ou seja, as legis artis da profissão e os deveres deontológicos próprios de cada profissão. Ora, o que se verifica é que há ordens que prescindem de qualquer estágio ou de qualquer ensino no acesso à profissão e que em contrapartida são as mais diligentes no controlo dos conhecimentos académicos dos candidatos, que elas não deveriam poder pôr em causa." Vital Moreira

Vital Moreira considera o poder das ordens em relação à acreditação de cursos como questionável. Vou mais longe, usando os seus argumentos. Creio que é ilegítimo. A auto-regulação da profissão pelas ordens é uma delegação de poderes do Estado. Compreende-se perfeitamente em relação àquilo que o Estado está em piores condições de fazer: a defesa da deontologia profissional e a punição de comportamentos antideontológicos. Mas não creio que seja legítimo dar-lhes poderes que se sobrepõem aos do próprio Estado, designadamente a garantia por parte deste da qualidade das formações profissionalizantes que a educação superior fornece (incluindo as do sector privado, fiscalizado e garantido pelo Estado). Todavia, isto não quer dizer que as ordens não sejam chamadas a intervir no mecanismo de regulação independente da educação superior * que defendo."

*"Limito-me a dizer que, em minha opinião, as ordens são importantes para a defesa da deontologia da profissão mas que têm um poder excessivo, muitas vezes exercido na defesa de interesses corporativos, na acreditação de cursos para efeitos de exercício profissional. A acreditação, com a importância que tem na regulação, como proponho, é de interesse nacional e supra-corporativo. Não faz sentido que o Estado cuide da qualidade da sua educação superior e que essa qualidade possa ser posta em causa por um grupo restrito e semi-privado."


http://jvcosta.planetaclix.pt/index.html

Comments on "AS ORDENS PROFISSIONAIS E A ACREDITAÇÃO"

 

Blogger arqportugal.blogspot.com said ... (segunda-feira, 30 janeiro, 2006) : 

CURRICULUM VITAE


João Manuel de Vasconcelos Costa


Local e Data de nascimento
Ponta Delgada (Açores), 3 de Novembro de 1944

Estado civil
Casado

Nacionalidade
Portuguesa

E-mail
j.vcosta@clix.pt

Página Web
http://jvcosta.planetaclix.pt

Qualificação académica
Licenciatura em Medicina, Universidade de Lisboa,18 valores, 1968
Doutoramento em Medicina (Microbiologia), Universidade de Lisboa, distinção e louvor, 1976
Agregação em Medicina (Microbiologia), Universidade Nova de Lisboa, 1983

Actividades anteriores e situação actual em termos científicos e/ou profissionais
Instituto de Investigação Científica de Angola; colaborador científico, 1970-72.
Institut Suisse de Recherches Expérimentales sur le Cancer, Lausana: Postdoctoral fellow, 1972-74
Instituto Gulbenkian de Ciência, Oeiras, Portugal: bolseiro, 1967-70; investigador do quadro, desde 1970.
Investigador Sénior do Instituto Gulbenkian de Ciência, director do Laboratório de Virologia Molecular, até 1996 (reforma).
Presidente do Conselho Científico do IGC, até Abril de 1996.
Membro do International Committee on Virus Taxonomy.
Editor da Encyclopedia of Virology.
Coordenador do Polo de Oeiras do Instituto de Biotecnologia e Química Fina, 1991-94.
Gestor do Financiamento Plurianual do Polo de Oeiras, 1994-96.
Delegado português à European Molecular Biology Conference, até 1990.
Coordenador científico da Comissão de Estudo e Acompanhamento das Encefalopatias Espongiformes, 1989-95.
Professor catedrático convidado do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, 1996-2002.
Director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, 1997-2000.
Representante do Ministério da Ciência e Tecnologia no Grupo de Peritos Interministerial sobre Organismos Transgénicos, 1997.
Delegado português à TropMedeurope, 1997-2000.
Delegado português ao Joint Committee do Tropical Disease Research Program (OMS), 1997-2000.
Consultor para a ciência e tecnologia do Presidente do Governo regional dos Açores.
Professor catedrático da Universidade Lusófona, 2002-.

Domínios de especialização
Biologia Molecular, Virologia, Educação superior

Outros domínios
Biotecnologia molecular e de células animais, Bioinformática

Principais temas de investigação, ao longo da actividade profissional
Marcadores de oncogénese dos adenovírus; biologia molecular do vírus da peste suína africana; replicação de DNA; micofago D29 e vectores para micobactérias; genética de Methylophilus methylotrophus; tecnologia de anticorpos monoclonais; construção de vectores para engenharia genética de expressão.

Principais contribuições científicas:
Identificação, caracterização e purificação de um novo marcador de vírus oncogénicos, o antigénio de superfície do adenovírus tipo 12.
Identificação e caracterização das proteínas do vírus da peste suína africana (ASFV).
Preparação de sistemas in vitro para transcrição e replicação de DNA em células eucarióticas.
Caracterização, sequenciação, clonagem de expressão, mutagénese e identificação de domínios funcionais da DNA-polimerase do ASFV.
Estudo da variabilidade do genoma do vírus da peste suína africana.
Mecanismos moleculares da replicação do DNA do ASFV: demonstração do primeiro caso de replicação em eucariotas sem dependência de origens e por círculo rolante; envolvimento da RNA-polimerase.
Sequenciação e caracterização da região de integração do micobacteriófago D29 e sua utilização para a construção de vectores para vacinas de BCG recombinantes.

Projectos de investigação
Proteínas específicas virais de células transformadas pelo adenovírus tipo 12 (Fundação colaste Gulbenkian, FCG).
Purificação e caracterização do antigénio de superfície do adenovírus tipo 12 (Project 3.826.72, Swiss National Fund).
Proteínas estruturais e induzidas do vírus da peste suína africana (ASFV) (FCG e JNICT 87191).
Telómeros do ASFV (CEE, BAP-465).
Anticorpos monoclonaius contra o ASFV e construção de um bio-sensor (CEE, AIR 665/92).
Replicação do DNA de ASFV (JNICT 3/3.2/AGR/09/94).
Mutantes de ASFV defectivos na replicação de DNA (CEE, AIR 1332/93).
Vectores para engenharia genética de micobactérias (JNICT, PRAXIS/PCNA/ BIO/44/96).

Actividade docente
Enquanto investigador do IGC, participou regularmente, desde 1969, no programa "Estudos avançados de Oeiras".
Regeu diversas disciplinas da licenciatura de Biologia e do mestrado em Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Participou pontualmente no ensino de muitos cursos de licenciatura e de mestrado de diversas universidades.
Desde 2002, direcção e regência teórica das disciplinas de Biologia Molecular e de Virologia da licenciatura em Ciências Farmacêuticas da Universidade Lusófona e da licenciatura em Análises Clínicas e Saúde Pública da Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches.

Orientação de teses
Doutoramento, concluídas: 11 (Graça Ribeiro, M. Fernanda Barros, Filomena Caeiro, M. Céu Correia, Aida Esteves, Celso Cunha, Margarida Meireles, Solange Oliveira, Alexandra Martins, Sandra Pires, Vítor Alves).
Mestrado, concluídas: 2 (Margarida Meireles, Carlos Gonçalves).

Línguas
Inglês, francês, castelhano: domínio pleno.
Compreensão de italiano e latim.

Prémios, bolsas, condecorações
1961 Prémio Nacional do Ministério da Educação e Prémio Infante D. Henrique
1964 Prémio de Anatomia Patológica da Universidade de Coimbra
1970 1º Prémio Pfizer para jovens investigadores
1967-69 Bolsa de iniciação à investigação, Fundação C. Gulbenkian
1973-74 Bolsa pós-doutoral no Institut Suisse de Recherches Expérimentales sur le Cancer, Lausanne. Fundação C. Gulbenkian.
2001 Grande Oficial da Ordem do Mérito.

Publicações
42 artigos científicos sobre Virologia e Biologia Molecular (a maioria em Virology, factor de impacto 4,13) e 105 comunicações.
Livro "A universidade no seu labirinto", 2001, Editorial Caminho.
76 artigos sobre politica da educação superior, principalmente em http://jvcosta.planetaclix.pt/artigos.html e incluindo capítulos nos livros "Contextos e dinâmicas da vida académica", Eds. A. S. Pouzada e tal., U. Minho, 2002 e "Quem tem medo da Declaração de Bolonha", Ed. Universidade Lusófona , 2005.
Cerca de 30 conferências ou participações em colóquios sobre a educação superior.

 

Anonymous arq!estagiario said ... (segunda-feira, 30 janeiro, 2006) : 

Este senhor tem um site muito interessante sobre a educação, relativamente ao comentário não há muito a acrescentar e dá para perceber ao estado vergonhoso a que chegou o nosso País.

Algumas ordens a acreditar alguns cursos, onde é que isto já se viu? Só mesmo em Portugal ...

O mais incrivel é que só em alguns cursos é que isso acontece, não há um metodo universal

Só mais uma coisa, o estado até pode delegar essas funções nas ordens, mas acabem com outros organismos que sugam o dinheiro dos contribuintes!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Processo de bolonha vai ter uma comissão de acreditação, será que vamos ter as ordens a continuar a sugar mais dinheiro! estou para ver o descaramento

 

Blogger BiPri said ... (terça-feira, 31 janeiro, 2006) : 

Quem é que tem um parecer prontinho a sair cá para fora, quem é?

;)

Mais um documento de uma outra entidade a dar-nos razão!!! Só falta que o documento saia pelos mecanismos protocolares para que possa ser divulgado.

E deverá acontecer ainda esta semana!!!

"(...) e no entanto ela move-se."


2006 vai mesmo ser de arromba!!!

Diogo Corredoura

 

Anonymous Anónimo said ... (terça-feira, 31 janeiro, 2006) : 

Pérolas perdidas!!!

Helena Roseta, :2, a propósito da sobreposição da intervenção de José Sócrates à de Manuel Alegre, no rescaldo das eleições presidenciais:

“(...)falta de respeito pelas regras da democracia.”

"Em 30 anos de democracia, nunca assisti a uma falta de respeito tão grande pelas pessoas."











HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!
HIHIHIHIHIIHIHIHIHIHIHIHIHIH!!!
RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!RIR!!!

Será que esta gente não se ouve?

 

Anonymous Anónimo said ... (quarta-feira, 01 fevereiro, 2006) : 

Que ave rara realmente, não tem vergonha na cara

 

Anonymous arq!estagiário said ... (quinta-feira, 02 fevereiro, 2006) : 

Diogo já tens mais novidades?

 

Anonymous Anónimo said ... (sábado, 04 fevereiro, 2006) : 

O Diogo tem mas é tangas.

 

Blogger BiPri said ... (segunda-feira, 06 fevereiro, 2006) : 

Oh palhacinho, espera só mais um bocadinho que eu já te esfrego as tangas na cara.

Já agora escreve lá o teu nome para eu deixar de utilizar apenas o teu sinónimo.

Diogo Corredoura

 

post a comment